21 junho 2005

PRESIDÊNCIA ABERTA NOS BARES PORTUGUESES

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OLÁ A TODOS

O Presidente da República Portuguesa em visita à Cova da Moura apelou à tolerância aos portugueses. Poucas horas mais tarde, por iniciativa do PNR e da Frente Nacional, decorria uma manifestação de contra o alegado aumento da criminalidade no país, por culpa dos imigrantes. A manifestação acabou com troca de insultos e agressões.

Eu, por este meio, apelava ao Sr. Presidente da República, e eu sei que ele é leitor assiduo deste blog, que programasse uma visita ao Piolho da Solum nos próximos tempos, no mesmo âmbito da intervenção referida. Sei que tem uma agenda muito ocupada, mas a gravidade da situação exige uma intervenção ao mais alto nível, e passo a explicar.

O preço dos finos está demasiado alto, e a malta tem que recorrer a expedientes menos legais para continuar a conseguir a dose necessária diária de cerveja, uma vez que não existe um substituto, tipo metadona, para as nossas necessidades. Os nossos filhos e as nossas mulheres sofrem com a diminuição do nosso poder de compra resultando, deste facto, numa extrema violência doméstica. Eu próprio posso mostrar 3 ou 4 hematomas que sofri quando recentemente cheguei a casa sem dinheiro e a cheirar a alcool. Por outro lado, os nossos filhos dedicam-se, cada vez mais, à delinquência juvenil, roubando antenas de automóveis, fruta nas mercearias, senhas de autocarro, etc.

Até há pouco tempo, os nossos filhos e as crianças do bairro, podiam brincar alegremente nos espaços destinados as esse fim: as rotundas verdinhas que existiam em abundância na Solum, no entanto, desde a intervenção nas ditas rotundas por parte de uma empresa chamada Espaços Verdes, que estas ficaram muito mais altas, e os catraios, para puderem lá brincar, têm que levar um escadote. Já não é a primeira vez que um garoto cai lá de cima. Claro que este facto é factor de acréscimo de violência e delinquência a juntar ao anteriormente referido.

Também as nossas mulheres e nossas amigas já não passam ao lado da perdição e é vê-las na esplanada do Piolho, a fumarem e a beberem cerveja ou outras bebidas de elevado teor alcoólico em alegre cavaqueira. Também vestidas de cores garridas, abandonando à muito as saias pretas compridas e os xailes que é, no meu entender, uma tradição a preservar. Falam sobre sobre futebol, politica e sobre carros, que é, como todos sabemos, uma conversa que deveria estar reservada aos homens. Conversam também, sem pudor, de gajos. A postura delas, faz aumentar o consumo e logicamente o preço da cerveja, já de si demasidamente cara.

É um caso de extrema gravidade e é necessário que o Dr. Sampaio nos ajude numa tentativa de salvar a carenciada população da Solum deste caos eminente.Podiamos começar com medidas simples e avulsas, nomeadamente a diminuição do preço dos finos, que podia ser decretado uma entidade superior, como, por exemplo, o Sr. Presidente. Esta medida seria, sem dúvida, benvinda para mim, e seria bem acolhida pela grande maioria da população.

Medidas como, por exemplo, a requalificação urbana da Solum, também viram ao encontro dos anseios da população. Podiamos destruir o Dolce Vita e transformar aquele espaço numa praça ampla a que dariamos o nome de, por exemplo, Praça Herois do Ultramar, há semelhança de outras grandes metropoles nacionais. Agora fora de brincadeiras, devemos ter a única praça no mundo que foi urbanizada.

Tinhamos a Praça Herois do Ultramar e urbanizaram a dita praça contra os principios mais elementares de urbanismo. O argumento de que a praça não era utilizável é de tolos uma vez que o problema não está na praça, mas sim, na forma como ela era aproveitada, dado que não foram criadas infraestruturas convidativas para a população. Em vez de resolverem a situação, construiram um shopping! Porreiro! Será que irão construir um condominio privado no Jardim da Sereia com o mesmo argumento? E que tal um shopping no Jardim Botânico de forma a ir de encontro aos anseios dos coimbrinhas?

A Praça Herois do Ultramar estava para Coimbra como está a Praça Tiananmen para os habitantes de Pequim ou a Praça Vermelha para os Moscovitas, e a comparação não se resume só às brilhantes paradas militares no dia 25 de Abril.

As Altas Autoridades Solumenses pensam já, e face à gravidade da situação, transformar a Solum numa região autónoma com juridição própria, de forma a que o habitantes da Solum decidam sobre o seu próprio destino. Ora bem, penso que estar a criar as condições para o aparecimento de um novo “Dr. Alberto João” é bom para a Solum mas mau para o país.

Sr. Presidente, nestes dois mandatos já se deslocou por 3 vezes à Cova da Moura, umas 5 ou 6 vezes ao Brasil, e nem uma vez só ao Piolho da Solum.

No meu entender, penso que há aqui uma discriminação positiva por parte do Poder.Sugiro, inclusivé, que o Sr. Presidente realize uma Presidência Aberta pelos diversos bares deste país. Numa altura em que existe uma repressão e condenação enorme aos consumidores de bebidas alcoólicas, em que, inclusivamente, os impedem de dirigir o automóvel de que são os legitimos proprietários (se bebo umas cervejas e não posso conduzir, então tenho que ficar no Piolho a beber umas cervejas, criando-se assim, um circulo vicioso), é altura de apoiar e dinamizar a actividade de beber uns copos que é uma tradição centenária em Portugal e que merece ser preservada.

E porque “mais vale um Bebado Famoso que um Alcoólico Anónimo”, apelo à sensibilidade do Sr. Presidente e demais Poderes de incentivarem o consumo de cerveja, e ao vosso sentido de Tolerância.

SAUDAÇÕES PATRIÓTICAS
MANUEL DA GAITA

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